As condições da vida moderna devoram nossa margem. Se você é sem-teto, é enviado
para um abrigo. Se não tem dinheiro, ganha cestas básicas. Se não tem fôlego, é conectado
a um tubo de oxigênio. Porém, se não tiver margem, recebe ainda assim algo mais a fazer.
Falta de margem é chegar trinta minutos atrasado ao médico porque saiu do banco
vinte minutos atrasado porque deixou as crianças na escola dez minutos atrasadas porque
o seu carro ficou sem combustível a duas quadras do posto de gasolina — e você esqueceu
a sua carteira.
Margem, por outro lado, é ter fôlego de sobra no topo da escadaria, dinheiro sobrando
no final do mês, e saúde mental ao final da adolescência.
Falta de margem é o bebê chorando e o telefone tocando ao mesmo tempo; margem é a
vovó ficar com o bebê durante a tarde. Falta de margem é alguém pedir que você carregue
uma carga com cinco quilos a mais do que você pode suportar; margem é ter um amigo
para carregar metade do peso. Falta de margem é não ter tempo de terminar aquele livro
que você está lendo sobre estresse; margem é ter tempo de lê-lo duas vezes.